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Recuperação da safra de cacau reduz importação em 57%

há 12 horas
2 min de leitura

Recebimento de amêndoas atinge 95.108 toneladas no primeiro semestre de 2026, revertendo escassez recente


Fonte: Banco de Imagens WIX
Fonte: Banco de Imagens WIX

O primeiro semestre de 2026 trouxe sinais de recuperação para a oferta de cacau no Brasil, com o recebimento de amêndoas alcançando 95.108 toneladas, alta de 63,4% na comparação com o mesmo período de 2025. 


As informações são do levantamento do SindiDados divulgado pela Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), que acredita que o volume reverte dois anos consecutivos de escassez e devolve a produção nacional a patamares anteriores à crise de 2023.


Nesse cenário, o Espírito Santo (Sudestes) tem papel estratégico na cacauicultura do país com relação à diversificação geográfica da matéria-prima. Embora a Bahia, no Nordeste, continue liderando a produção nacional com 56,8% do total e o Pará, no Norte, responda por 38,8%, o estado capixaba concentrou 3,1% de todo o volume recebido pela indústria no semestre. 


Já com relação à etapa industrial, a moagem total de amêndoas avançou apenas 3,6% em relação a 2025, somando 101.426 toneladas — número ainda 19,8% inferior ao registrado antes do período crítico em 2023. Para a AIPC, embora o Espírito Santo e outros estados produtores voltem a colher em ritmo acelerado, a recuperação da produção ainda não se traduziu em retomada da demanda por derivados de cacau. 


A recuperação da produção nacional reduziu substancialmente a necessidade de importação de amêndoas no primeiro semestre de 2026, segundo os dados da AIPC. O Brasil importou 18,1 mil toneladas, o menor volume da série recente, 57,1% inferior ao registrado no mesmo período de 2025.


Contudo, para a Associação, o desempenho das exportações é mais um indicativo de que a atividade industrial ainda não voltou aos níveis anteriores à crise. Houve queda de 7,0%, tendo a Argentina como destino de 45% dessas vendas.


As exportações de amêndoas permaneceram residuais, com apenas 274 toneladas embarcadas no semestre. Para a AIPC, isso demonstra que a competitividade brasileira está concentrada na industrialização e na exportação de produtos de maior valor agregado. A presidente-executiva da AIPC, Anna Paula Losi, ressalta que produzir mais é apenas o primeiro passo.


“Ainda não há garantia de que essa oferta se mantenha nos próximos ciclos, pois a produção continua sujeita aos efeitos do clima, às doenças e à necessidade de maior assistência técnica. Fortalecer a capacidade de processamento do país é tão importante quanto fortalecer a produção. Uma indústria competitiva amplia a demanda pelo cacau brasileiro, agrega valor e cria as condições para que produtores e indústria mantenham seus investimentos em produtividade, inovação e sustentabilidade. É dessa relação entre produção e indústria que depende o crescimento sustentável da cacauicultura brasileira”, conclui.

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