E-commerce teve 2,3 milhões de fraudes barradas em 2025
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As tentativas de fraude no e-commerce brasileiro somaram 2,3 milhões de ocorrências em 2025 na base monitorada pelas soluções antifraude da Serasa Experian. Segundo o levantamento, as investidas poderiam ter gerado cerca de R$ 2,4 bilhões em prejuízos a empresas e consumidores.
O estudo considera pedidos feitos em canais de e-commerce, marketplace, venda direta e aplicativos de delivery, analisados pelos modelos de risco da companhia entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2025. Na base avaliada, o ticket médio das transações fraudulentas chegou a R$ 1.057,87, quase o dobro do valor registrado em compras legítimas, de R$ 538,79.
“O cenário de fraude no e-commerce impõe um impacto direto sobre receita, eficiência operacional e experiência do consumidor. Quando as tentativas criminosas combinam alta escala, superando 2 milhões de diligências no ano passado, e ticket médio elevado, a prevenção à fraude deixa de ser apenas uma camada de proteção e passa a ser parte estratégica da sustentabilidade do negócio”, afirma Rodrigo Sanchez, diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian.
Perfis masculinos tiveram maior taxa de risco
No recorte por gênero, a análise indica quais perfis foram mais reproduzidos por golpistas nas transações, o que não significa, necessariamente, a identidade de quem cometeu a fraude. Entre os pedidos com gênero identificado, os perfis masculinos apresentaram a maior taxa de risco, com índice de 1,6%, o dobro do observado nos perfis femininos, de 0,8%.
A diferença também aparece no valor médio das transações suspeitas. Quando os golpistas tentaram reproduzir perfis masculinos, o ticket médio foi de R$ 1.177,69. Nos perfis femininos, o valor ficou em R$ 1.095,58. Já a categoria “outros”, que reúne definições de gênero não especificadas ou casos em que o checkout não exigiu identificação, registrou 1,1 milhão de tentativas de fraude, com taxa de risco de 1,4% e ticket médio de R$ 972,15.
Para Sanchez, o comportamento reforça a necessidade de estratégias de autenticação mais ajustadas ao contexto de cada jornada. “Em vez de uma proteção única para toda a base, a tendência é que as empresas ganhem eficiência ao combinar tecnologias e regras de autenticação capazes de considerar o contexto de cada jornada, bloqueando investidas suspeitas sem gerar fricção desnecessária para consumidores legítimos”, explica o executivo.
Eletroeletrônicos lideram ocorrências
Entre as categorias monitoradas, eletroeletrônicos concentraram o maior volume de tentativas de fraude, com 126,3 mil ocorrências barradas em 2025. Em seguida aparecem moda e vestuário, com 103,2 mil registros, e beleza, saúde e cuidados pessoais, com 95,6 mil. Delivery, com 46,8 mil ocorrências, e brinquedos, com 40,5 mil, completam a lista das cinco categorias mais atingidas.
A categoria de eletroeletrônicos também apresentou a maior taxa de risco entre os segmentos analisados, de 3,2%. Na prática, pouco mais de três a cada 100 pedidos avaliados foram classificados como tentativa de fraude. O índice ficou acima dos registrados em beleza, saúde e cuidados pessoais, com 1,3%, e moda e vestuário, com 1,2%.
O valor médio das tentativas barradas também foi mais elevado nesse segmento. Em eletroeletrônicos, o ticket médio das fraudes chegou a R$ 2.350,94, mais que o dobro da média geral das transações fraudulentas no e-commerce monitorado e 22,8% acima do ticket médio das compras legítimas da própria categoria.
Outros segmentos de maior valor agregado também chamaram atenção. Em eletrodomésticos, o ticket médio das tentativas de fraude foi de R$ 2.217,07, frente a R$ 1.551,85 nas compras regulares. No automotivo, a média foi de R$ 1.182,22 nas transações fraudulentas, contra R$ 649,61 nos pedidos legítimos. As duas categorias ficaram fora do top 5 em volume, mas registraram números relevantes, com 36,8 mil tentativas em eletrodomésticos e 35,6 mil em automotivo.
“Os dados mostram que a fraude no e-commerce acompanha a própria evolução do consumo digital, avançando sobre diferentes categorias de produto. Nesse cenário, o papel da tecnologia é ajudar as empresas a identificar padrões de risco com mais precisão, reduzir perdas e sustentar jornadas de compra mais seguras e fluidas para o consumidor”, conclui Sanchez.
Segundo a Serasa Experian, o levantamento considera como tentativas de fraude os pedidos classificados como suspeita de fraude, fraude confirmada ou com retorno de chargeback.



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