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Brasil pode perder até R$ 38 bilhões em consumo das famílias com tarifas dos EUA

  • há 13 horas
  • 2 min de leitura
Sobretaxas propostas pelos Estados Unidos podem reduzir o PIB brasileiro em até 0,6 ponto percentual em 2026

Fonte: Banco de Imagens WIX
Fonte: Banco de Imagens WIX

O Brasil enfrenta o risco de perder entre R$ 15 bilhões e R$ 38 bilhões em consumo das famílias como consequência das tarifas anunciadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).


A combinação das sobretaxas de 25%, associadas a divergências bilaterais envolvendo o Pix, o Judiciário e políticas ambientais, e de uma taxa adicional de 12,5%, motivada por falhas no combate ao trabalho forçado, coloca sob pressão cerca de US$ 9,5 bilhões em exportações industriais brasileiras e pode comprometer a atividade econômica em 2026.


As estimativas de mercado apontam que o impacto das medidas sobre o Produto Interno Bruto (PIB) deve variar entre 0,3 e 0,6 ponto percentual em 2026. No cenário mais pessimista, o recuo equivale a R$ 76 bilhões em atividade econômica ao longo do ano. As projeções de crescimento para 2026, que antes oscilavam entre 1,2% e 1,7%, foram revisadas para baixo de forma generalizada pelo mercado após o anúncio das tarifas.


O consumo das famílias, que totalizou R$ 8,1 trilhões em 2025 e representou 64% do PIB, deve absorver entre 40% e 50% do choque, padrão histórico observado em episódios anteriores de choques externos sobre a economia brasileira.


No cenário central, o impacto estimado sobre o consumo alcança aproximadamente R$ 22,5 bilhões, dos quais R$ 7 bilhões recairão sobre o varejo restrito e R$ 10,5 bilhões sobre o varejo ampliado, que inclui veículos e materiais de construção.


O impacto se transmite pela economia por múltiplos canais: retração nas cadeias produtivas exportadoras, com efeito cascata sobre fornecedores de pequeno e médio porte; pressão cambial, que encarece máquinas e insumos importados; e inflação setorial concentrada em alimentos industrializados, bebidas, materiais de construção e transporte, categorias que afetam desproporcionalmente famílias de renda média e baixa.


Setores mais vulneráveis


Os setores mais vulneráveis incluem a indústria de máquinas pesadas, etanol, transformadores elétricos, madeira e granito trabalhado. No agronegócio, a carne bovina pode registrar retração de até 20% nas exportações para os Estados Unidos. A indústria aeronáutica figura entre as mais expostas, com relevante dependência do mercado norte-americano.


A siderurgia, já pressionada pela desaceleração da economia global, acumula queda na receita das exportações de aço desde o início das tensões comerciais.

As medidas ainda não estão em vigor. O período de consulta pública se estende até 6 de julho de 2026, com audiências marcadas para o dia 7 do mesmo mês. A decisão final cabe ao presidente Donald Trump, com prazo até 15 de julho.


O governo brasileiro, que classificou o processo como ingerência em assuntos internos, sinalizou uma resposta proporcional caso as tarifas sejam confirmadas, risco avaliado pelo mercado como capaz de ampliar o impacto inflacionário.


O Brasil é uma economia relativamente fechada: exportações e importações respondem por apenas 18% do PIB, o que limita o impacto direto das tarifas. No entanto, os efeitos indiretos, via câmbio, crédito e confiança, tendem a ser mais amplos e duradouros, especialmente em um contexto de juros ainda elevados e famílias altamente endividadas.

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