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Avanço das bets também é um dos motivos pela queda das unidades vendidas no varejo

há 10 horas
3 min de leitura
Fonte: Banco de Imagens WIX
Fonte: Banco de Imagens WIX

As apostas esportivas deixaram de ser apenas um segmento de entretenimento para se tornar um concorrente direto de diversos setores da economia, incluindo o varejo alimentar. Estimativas da Abaas (Associação Brasileira dos Atacarejos) apontam que entre R$ 216 bilhões e R$ 252 bilhões são direcionados anualmente às plataformas de apostas.

 

A CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) trabalha com uma projeção ainda maior, entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões por mês, o equivalente a aproximadamente R$ 360 bilhões por ano.

 

Para efeito de comparação, esse montante representa cerca de 31,6% do faturamento de todo o varejo alimentar em 2025, ou aproximadamente 96% da receita conjunta das dez maiores empresas do setor.

 

Além de crescer em volume, as apostas também avançam em intensidade. Pesquisa da Pay4Fun mostra que, em 2025, 53,3% das pessoas apostavam até R$ 50 por mês, enquanto 19,5% desembolsavam mais de R$ 1.000.

 

Em 2026, o cenário tornou-se ainda mais intenso. Levantamento do Procon-SP identificou um salto de 18% para 30% na parcela de consumidores que passaram a gastar acima de R$ 1.000 mensais. 

 

Veja mais alguns dados de pesquisas recentes que ajudam a dimensionar esse cenário: 

 

  • 25 a 28 milhões de brasileiros apostaram em 2025. As estimativas da CNC e da Pay4Fun, respectivamente, indicam que entre 11,8% e 13,1% da população participou de apostas esportivas.



  • 41% a 51% das operações em atividade são ilegais. Essa é a estimativa do governo. Até julho de 2026, o Brasil contabilizava 187 plataformas autorizadas.



  • 38 bilhões de reais/ano em perdas – Prejuízo econômico estimado pelo governo em decorrência das apostas.



  • 3 vezes maior – é o impacto das bets em comparação aos juros no endividamento. Estudo do Ibevar e da FIA Business School aponta que as apostas têm peso de 23% no endividamento das famílias, superando com folga o efeito dos juros (7%) e da oferta de crédito (4%).



  • 3 em 10 brasileiros com conta em bancos solicitam crédito para continuar apostando. Levantamento da Klavi mostra que esse comportamento aumenta em cerca de 25% a probabilidade de endividamento.



  • R$ 1 bilhão para as bets provoca 0,7% de retração no faturamento do varejo. Estimativa da CNC indica que as apostas não criam riqueza adicional para a economia, apenas deslocam recursos, antes destinados ao consumo, aos serviços e ao varejo.



  • 143,8 bilhões de reais –  Valor que a CNC estima ter deixado de circular no comércio varejista entre janeiro de 2023 e março de 2026 em razão das apostas online.



  • 46% dos apostadores afirmam já ter deixado de consumir algum produto ou serviço para apostar, segundo levantamento da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas.

 

Copa do Mundo triplica apostadores

 

O Mundial de futebol impulsionou os gastos com apostas esportivas, favorecidas pela intensa exposição das plataformas durante as transmissões dos jogos.

 

Em junho, a parcela da população que realizou apostas aumentou 23,8 p.p., enquanto o gasto médio por apostador ultrapassou R$ 500, quase três vezes acima da média de R$ 188 registrada antes da competição. Entre 11 de junho e 15 de julho, as apostas movimentaram R$ 886,2 milhões.

 

E o impacto das bets diretamente nos supermercados?

 

Nos últimos anos, novas categorias de gasto passaram a disputar diretamente o orçamento das famílias, reduzindo os recursos disponíveis para o varejo alimentar e remodelando os hábitos de consumo, e uma das mais significativas é justamente as bets.


A Kantar avalia que 13% do orçamento antes destinado a alimentos e bebidas foi direcionado às apostas, principalmente entre consumidores das classes C, D e E. Já o ONI (Observatório Nacional da Indústria) e a CNI (Confederação Nacional da Indústria) apontam que 37% dos apostadores utilizaram recursos originalmente destinados à alimentação para continuar apostando.

 

A SBVC (Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo) identifica os supermercados como o 2º setor mais afetado pela migração de recursos para bets, enquanto a CNC mostra que 19% dos apostadores reduziram os gastos em supermercados para manter o hábito de apostar.

 

Nesse contexto a otimização do sortimento se torna essencial. E é exatamente esse o tema da revista SA+ onde a matéria acima foi publicada originalmente.Clique aqui para ler o conteúdo completo. Essa edição dá início a série Decisões de Impacto, uma trilogia que será lançada ao longo do 2º semestre pela SA+ abordando os principais pilares que impulsionam a performance do varejo alimentar. 

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