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Varejo físico entra em nova fase e exige reinvenção das empresas

  • há 19 horas
  • 3 min de leitura

FecomercioSP debate mudanças estruturais no consumo e aponta caminhos para que lojas físicas sigam competitivas diante da pressão digital


Fonte: Banco de Imagens WIX
Fonte: Banco de Imagens WIX

O consumidor mudou de rota, e o varejo precisou se reposicionar. Hoje, preço baixo, sozinho, já não garante fidelidade. Além disso, a localização deixou de ser vantagem automática e a loja física passou a disputar atenção com marketplaces globais que cabem na palma da mão. Esse novo panorama foi discutido na reunião de maio do Comitê de Relacionamento das Assessorias de Comunicação e Marketing (CRACM) da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), que reuniu análises sobre os desafios e os caminhos possíveis para o comércio físico nos próximos anos.


A avaliação apresentada por Thiago Carvalho, assessor da Entidade, apontou que o setor atravessa uma transformação estrutural, impulsionada pela digitalização do consumo, pela mudança de comportamento dos clientes e pela pressão crescente de plataformas internacionais. Nos Estados Unidos, considerados um retrato antecipado do que pode ocorrer no Brasil, mais de 2 mil lojas devem fechar em 2026, enquanto grandes redes reduzem espaços físicos e priorizam operações mais rentáveis e digitais.


Ao mesmo tempo, shoppings norte-americanos começam a assumir novas funções, combinando moradia, saúde, lazer, alimentação e serviços. O modelo tradicional, baseado apenas em grandes lojas-âncora, perde força diante de formatos mais diversificados e conectados à experiência do consumidor.


Segundo Carvalho, o processo não representa o desaparecimento do varejo físico, mas uma reorganização natural do mercado. “O ponto físico deixou de ser só um local de venda. Hoje, precisa gerar experiência, relacionamento e conveniência”, explicou. No Brasil, o movimento ainda está em curso, mas os sinais já aparecem de forma clara. O e-commerce responde por cerca de 12% das vendas totais do varejo nacional, enquanto 78% das vendas online passam pelos marketplaces. Plataformas asiáticas como Shopee, Temu e Shein ampliaram a concorrência sobre praticamente todos os segmentos do comércio.


Apesar da pressão digital, os shopping centers seguem relevantes. Dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) apontam que há 658 shoppings em operação por todo o território nacional, com faturamento de R$ 200,9 bilhões, em 2025, e média de 471 milhões de visitantes por mês. Ainda assim, o fluxo caiu no último ano, indicando que parte do desempenho vem do tíquete médio e do mix de operações, e não necessariamente do aumento de circulação. O varejo de rua, por sua vez, aparece como o segmento mais vulnerável.


Nova função da loja física


A FecomercioSP destacou que o maior impasse do empresário está em adaptar o negócio ao novo comportamento do consumidor. A loja física deixa de ser apenas ponto de venda e passa a funcionar também como espaço de experiência, relacionamento e apoio logístico.


Nesse contexto, integrar canais virou questão de sobrevivência. Estratégias como retirada de compras feitas online, troca de produtos na loja e unificação de estoques entre físico e digital aparecem como diferenciais competitivos importantes frente aos marketplaces. “O varejo vencedor não é físico ou digital. É integrado”, afirmou Carvalho, durante a apresentação.


A Entidade também atentou para a necessidade de rever estruturas excessivamente grandes, ajustar portfólios de lojas e investir em eficiência operacional. O consumidor atual pesquisa pela internet, compara preços em tempo real e alterna canais de compra com facilidade. Isso exige negócios mais ágeis e posicionamentos mais claros.


Pequenos negócios ainda têm vantagem


Para os pequenos varejistas, a FecomercioSP avalia que competir apenas por preço tende a ser uma disputa desigual diante das grandes plataformas globais. A recomendação é investir em diferenciação, curadoria, atendimento personalizado e relacionamento próximo com o cliente.


Ferramentas como redes sociais e ações direcionadas ao público local aparecem como alternativas importantes para gerar recorrência e fortalecer a conexão com a comunidade. A loja física também ganha valor quando oferece conveniência, retirada rápida, troca facilitada e atendimento consultivo.


A apresentação trouxe ainda exemplos de empresas que conseguiram se reposicionar com sucesso no Brasil e nos Estados Unidos, como Magazine Luiza, Apple Store, Oxxo, Reserva e Trader Joe’s. Em comum, esses modelos têm proposta de valor clara, integração digital, operação eficiente e capacidade de gerar demanda própria, sem depender somente do fluxo espontâneo das ruas.

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