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Guerra no Oriente Médio começa a impactar setores da economia brasileira

  • há 14 minutos
  • 2 min de leitura

A maior preocupação agora é como exportar nossos grãos para a região dos conflitos. Em 2025, o Irã foi o principal destino do milho brasileiro.


Fonte: Banco de Imagens WIX
Fonte: Banco de Imagens WIX

A guerra no Oriente Médio já causou impacto em alguns setores da economia brasileira. O petróleo é o carro-chefe das nossas exportações. Só em janeiro de 2026, o Brasil vendeu 75 milhões de barris para outros países. Segundo economistas, a condição de produtor e exportador de petróleo blinda o país das consequências negativas imediatas do conflito no Oriente Médio. Se o valor do barril sobe, a gente arrecada mais.


“O Brasil, diferentemente da maioria dos países do mundo, são poucos países do mundo que têm a balança de petróleo e derivados superavitária. A alta do preço do petróleo pode favorecer a entrada de dólares no Brasil ou, mais ainda, só melhorar a percepção de Brasil por ser identificado ao mundo das commodities, particularmente o petróleo”, afirma o economista André Perfeito.



“Na medida em que o preço sobe, as receitas de exportação brasileira aumentam e a arrecadação de participações governamentais aumenta também: os royalties, as participações especiais, os impostos ligados à cadeia de produção de petróleo”, diz Edmar de Almeida, professor do Instituto de Energia da PUC-Rio.


Mas, na análise dos especialistas, se os conflitos se estenderem por semanas, como afirmou o presidente americano, Donald Trump, e se o preço do barril continuar subindo, a economia brasileira também será impactada.


“O conflito está distante, mas seus efeitos podem ser sentidos aqui na inflação se durar mais tempo. Isso porque o preço do petróleo tende a subir. O petróleo é matéria-prima para vários segmentos econômicos importantes: encarece o agronegócio, encarece o frete, pode encarecer vários produtos da indústria automobilística, por exemplo, e de outros segmentos. Isso tende a chegar rapidamente e afetar diretamente as famílias”, afirma André Braz, economista FGV Ibre.


A produção de plásticos, resinas e tintas é feita a partir da nafta, um derivado do petróleo. O Brasil importa 60% da nafta usada pela indústria química, um setor que já teme prejuízos.


“O mercado compra todo dia. A cada contrato que você fecha, reflete o preço da hora, do dia, do mês que você fecha. Então, a gente já está vendo impacto disso. A questão é por quanto tempo esse impacto vai perdurar”, diz André Passos Cordeiro, presidente da Associação Brasileira da Indústria Química.


É também do Oriente Médio que vem boa parte dos fertilizantes usados nas lavouras brasileiras. Como a safra de soja está sendo colhida e a de milho vai ser plantada em seguida, os produtores já tinham garantido os insumos. Mas, com a guerra, esse custo aumentou para as próximas compras.


A maior preocupação agora é como exportar nossos grãos para a região dos conflitos. Em 2025, o Irã foi o principal destino do milho brasileiro. No momento, levar os navios até lá está sendo um grande desafio logístico – e a viagem já ficou mais cara.


“Não só o frete encarece pelo caminho mais longo, porque o armador fica correndo o maior risco. Então, ele quer se proteger também. Seguradoras já aumentaram os preços dos seguros. Claro, o risco é maior. Então, já impactou o preço de mercado”, explica Hélio Guedes Sirimarco, vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura.


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