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Escassez de mão de obra no setor de Serviços se intensifica e pressiona retenção de profissionais

  • há 26 minutos
  • 3 min de leitura

Queda no tempo de permanência no emprego e avanço das contratações comprovam mercado mais aquecido, porém mais volátil, aponta estudo da FecomercioSP


Fonte: Banco de Imagens WIX
Fonte: Banco de Imagens WIX

A escassez de mão de obra nos Serviços tem se agravado em meio ao aquecimento do mercado de trabalho, elevando a dificuldade de retenção de profissionais. O setor abrange 57% dos empregos formais no País e responde por cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB), o que amplia os impactos da falta de trabalhadores sobre a atividade econômica. Ao mesmo tempo, indicadores revelam vínculos mais curtos e aumento da rotatividade, mesmo diante do crescimento expressivo das contratações. 


Estudo do Conselho de Serviços da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) mostra que um dos principais sinais desse quadro é a queda no Tempo Médio de Permanência no emprego (TMP). Entre fevereiro de 2021 e fevereiro de 2026, o indicador recuou 6,8 meses no Brasil (−27%) e 6,3 meses em São Paulo (−27,2%), evidenciando relações de trabalho mais breves e maior dificuldade das empresas para manter seus quadros [gráficos 1 e 2]. 


Gráfico 1

Tempo Médio de Permanência (TMP) no emprego, em meses, em São Paulo

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego/Caged

Elaboração: FecomercioSP



Gráfico 2

Tempo Médio de Permanência (TMP) no emprego, em meses, no Brasil 

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego/Caged

Elaboração: FecomercioSP



Apesar disso, o volume de admissões avançou em torno de 80% no período analisado, indicando um mercado aquecido, porém mais instável. Na prática, as empresas estão contratando mais, mas têm mais dificuldades para reter trabalhadores, o que eleva custos operacionais, exige investimentos contínuos em treinamento e afeta a produtividade. 

Segundo o presidente do Conselho de Serviços da FecomercioSP, Marcelo Braga, o momento exige uma mudança de foco por parte dos empresários. “Hoje, mais do que contratar, o empresário precisa pensar em como reter. O mercado está mais dinâmico e o profissional circula mais”, afirma.

 

Mais mobilidade e mudança no perfil da força laboral


De acordo com o estudo, no Brasil, a redução no tempo de permanência nas empresas foi generalizada entre diferentes faixas etárias, mas mais intensa entre trabalhadores de 50 a 64 anos, grupo que apresentou as maiores quedas em termos absolutos e relativos. O movimento reflete mais mobilidade no mercado, em especial entre profissionais mais experientes, que encontram mais oportunidades e passam a trocar de emprego com mais frequência [gráfico 3]. 


[Gráfico 3]

Tempo Médio de Permanência (TMP) no emprego em meses, por faixa etária, em São Paulo

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego/Caged

Elaboração: FecomercioSP



[Gráfico 4]

Crescimento das admissões, por faixa etária, em São Paulo

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego/Caged

Elaboração: FecomercioSP



Setores mais pressionados pela escassez


Na análise por atividade, alguns segmentos se destacam pelo ritmo de expansão das contratações em São Paulo. Alojamento e alimentação lideram, com alta de 159,4%, seguidos por outros serviços (112,8%) e transporte e armazenagem (81,9%). Esses setores, tradicionalmente mais intensivos em mão de obra e com mais rotatividade, tendem a sentir de forma mais acentuada os efeitos da escassez [gráfico 5]. 


[Gráfico 5]

Variação do Tempo Médio de Permanência (TMP) em meses, por segmento, em São Paulo 

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego/CAGED



Segundo Braga, da FecomercioSP, compreender essas dinâmicas é fundamental para decisões mais estratégicas. Ele destaca que o empresário deve considerar não apenas o número de vagas abertas, mas também fatores como rotatividade, perfil dos profissionais e características de cada segmento. 


Dentre os fatores que ajudam a explicar o cenário, destacam-se a normalização das atividades após a pandemia, a maior mobilidade entre trabalhadores e a recomposição dos quadros em setores presenciais. O resultado é um mercado de trabalho mais aquecido, porém mais volátil, no qual o desafio vai além da contratação e passa, cada vez mais, pela capacidade de retenção e pela estabilidade das equipes.

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