Consumo pré-Copa acende alerta para marcas no digital
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Segundo levantamento da Similarweb e da Conversion, 65% dos profissionais de marketing apontam dificuldade em conectar a Copa do Mundo FIFA 2026 aos produtos ou às marcas em que atuam. O dado indica que, às vésperas do torneio, o principal desafio das empresas não está necessariamente no orçamento, mas na construção de narrativas capazes de associar o evento às estratégias de comunicação.
A pesquisa Tendências de Marketing Copa do Mundo FIFA: inteligência artificial (IA), busca e consumo digital ouviu 261 profissionais de 17 segmentos em maio de 2026. Entre os respondentes, 56,7% ocupam cargos de gestão ou liderança, incluindo coordenadores, gerentes, diretores, fundadores e CEOs.
Apesar da relevância do evento, 51,7% dos participantes afirmaram não ter planejamento específico para campanhas relacionadas à Copa. Além disso, 73,5% disseram que o orçamento das empresas não deve mudar em razão do torneio. Para 53,6%, a sazonalidade não terá impacto nos resultados do negócio.
Entre os principais entraves para aproveitar o momento, a pouca relação entre o tema e a marca foi a resposta mais citada. Também aparecem indefinição estratégica interna, risco de desempenho ruim da Seleção Brasileira, falta de orçamento, concorrência agressiva, prazo curto para planejar e dificuldade de mensurar retorno sobre investimento.
“São dados que revelam a dificuldade de muitas marcas em potencializar os seus produtos e serviços em contextos favoráveis, como a Copa”, afirma Diego Ivo, fundador e CEO da Conversion. Segundo ele, o digital amplia as possibilidades de atuação mesmo para empresas que não têm relação direta com futebol.
Busca e IA
O estudo também mostra que o interesse digital pela Copa já vinha crescendo antes do início do evento. De janeiro a abril de 2026, o tema acumulou mais de 6,5 milhões de buscas no Brasil, alta de 315% em relação ao mesmo período do ano anterior. O principal pico ocorreu em dezembro de 2025, impulsionado pelo sorteio oficial dos grupos, enquanto a divulgação das listas de convocados voltou a elevar o interesse em maio de 2026.
Nos canais que devem ganhar peso nas ações ligadas ao torneio, mídia paga e busca orgânica aparecem praticamente empatadas. A primeira foi citada por 32% dos respondentes, enquanto SEO e conteúdo orgânico somaram 30,8%. Na sequência, aparecem CRM, influenciadores e relações públicas.
A Copa também começa a aparecer como tema relevante em ambientes de IA. Segundo a análise da Similarweb, Sofascore, FIFA, YouTube, Flashscore, ESPN, CazéTV e Globo Esporte estão entre as marcas com maior visibilidade em ferramentas como ChatGPT, Gemini, Perplexity e AI Mode quando o assunto é o Mundial de 2026.
Para Vicky Almeida, Sr. Insights Leader LATAM da Similarweb, esta será uma Copa mais impactada por novas formas de descoberta de informação. “Pela primeira vez, plataformas de inteligência artificial passam a ocupar um papel central na descoberta de informação, influência e construção de relevância em torno do torneio”, afirma.
Consumo pré-Copa
O levantamento também identificou categorias de produtos que ganham tração no período anterior ao evento. Em uma lista com mais de 150 itens monitorados, air fryer, ar-condicionado e TV de 50 polegadas lideram o interesse do consumidor. TVs de 50, 55 e 65 polegadas aparecem entre os maiores volumes de busca, indicando a preparação para assistir aos jogos em casa.
A demanda também cresce em produtos ligados a confraternizações. Camisetas esportivas tiveram alta de 679% nas buscas, enquanto o álbum da Copa 2026 avançou 253%. Entre os itens associados ao consumo durante os jogos, carnes para grill cresceram 244%, máquina de gelo subiu 114%, cerveja sem álcool avançou 54% e grill elétrico teve alta de 29%.
No varejo digital de cervejas, Heineken, Budweiser e Corona concentram a maior demanda dos consumidores. Os packs de latas de 350 ml e 473 ml aparecem entre os produtos com melhor performance, enquanto Budweiser lidera o segmento de cerveja zero álcool.
Segundo Vicky Almeida, a alta de produtos ligados à experiência de assistir aos jogos em casa mostra que a disputa por visibilidade no varejo digital tende a ganhar relevância. Para as marcas, o desafio será transformar o aumento do interesse em presença efetiva nos canais de busca, descoberta e compra.