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Supermercados de São Paulo registram deflação pelo quarto mês consecutivo

A redução de preços ocorreu em quase todas as categorias de produtos, com exceção das bebidas


O Índice de Preços dos Supermercados (IPS), calculado pela Associação Paulista de Supermercados (APAS) em parceria com a Fipe, registrou deflação de 0,85% em setembro. A redução de preços ocorreu em quase todas as categorias de produtos, com exceção das bebidas alcoólicas e não alcoólicas, que mantiveram os preços inflacionados em 0,61 e 0,63%, respectivamente. O resultado consolida a tendência de queda pelo quarto mês seguido, acumulando deflação de 1,36% no ano, sendo o segundo menor resultado dos últimos quinze anos, superado apenas por 2017, quando registrou deflação de 2,58%. No acumulado em 12 meses, a inflação desacelerou de 1,62% em agosto para 0,72% em setembro.


As categorias que registraram as principais quedas no mês foram os produtos in natura (-2,74%), semielaborados (-1,82%), artigos de limpeza (-0,83%), produtos industrializados (-0,33%) e artigos de higiene e beleza (-0,24%).



A APAS acompanha com atenção as recentes alterações nas conjunturas econômicas e políticas internacionais e seus reflexos sobre a economia doméstica brasileira. “Para este ano, projetamos que a inflação da cesta de consumo das famílias nos supermercados paulistas, apesar da volatilidade no cenário externo, deverá encerrar com a menor aumento desde 2017. Essa expectativa está apoiada, sobretudo, na deflação acumulada entre janeiro e setembro e a tendência de baixa ou de alta moderada de importantes itens da cesta de consumo”, explica o economista Felipe Queiroz, do Departamento de Economia e Pesquisa da APAS.


Apesar do índice de preços encerrar 2023 no menor patamar dos últimos anos, a manutenção da guerra na Ucrânia, o recente ataque do grupo palestino Hamas à Israel e a contraofensiva israelita à Faixa de Gaza, além das profundas alterações climáticas – com os meses de agosto e setembro mais quentes da história –, tendem a produzir efeitos sobre o comportamento dos preços doméstico no próximo ano.


“O petróleo e o gás natural são importantes insumos produtivos e, dada a situação dos países envolvidos direta e indiretamente nos conflitos de guerra na Ucrânia e Israel, os hidrocarbonetos se apresentam como estratégicas armas de negociação geopolítica. A APAS não descarta o cenário de instabilidade na cotação do petróleo e do gás natural a curto e médio prazos, impactando, inclusive, os preços dos fretes e de diferentes insumos produtivos”, afirma Queiroz.


As profundas alterações climáticas e os sucessivos recordes de temperatura, com eventos climáticos extremos observados em diferentes regiões do mundo tendem, igualmente, a impactar a produção agrícola no Norte e no Sul Global, inclusive o Brasil. Em 2023, o Brasil foi beneficiado por uma safra recorde de grão, já para o próximo ano, a forte seca que tem assolado as regiões Norte e Nordeste do país e as chuvas torrenciais no Sul do País poderão impactar a produção doméstica de grãos.


Semielaborados


Os semielaborados mantiveram a tendência de queda observada nos últimos meses e deflacionou 1,82% em setembro, refletindo a queda nos preços do leite (-7,08%), da carne bovina (-2,33%), dos pescados (-0,59%), da carne suína (-0,49%) e dos cereais (-0,40%).


O preço da carne bovina continua em queda em setembro, com tendência deflacionária observada desde o início de 2023 e acumula queda de aproximadamente 15% no ano. No acumulado em 12 meses, a queda é ligeiramente inferior, com retração de 14,4%. O comportamento do preço da carne bovina apresentou queda significativa ao longo deste ano. No entanto, os dados do CEPEA e do MDIC indicam que a indústria produtora da proteína animal tem direcionado grande parte de sua produção ao mercado externo e esta ação já tem produzido reflexo sobre os preços internos da arroba do boi gordo. A depender do fluxo de exportações, do volume de abates e da oferta local da proteína animal, poderemos observar nas próximas medições os impactos sobre os preços ao consumidor doméstico.


A carne suína, com o resultado de setembro (-0,49%), acumula queda de 5,44% no ano e alta de 0,38% em doze meses. Os pescados seguem tendência semelhante, com queda de preços em setembro (-0,59%), deflação no ano (-0,52%) e alta no acumulado em 12 meses (3,06%). A queda do preço da subcategoria de pescados no ano tem sido impulsionada pela redução dos preços da sardinha e do camarão. O camarão variou -2,6% em setembro, acumulando queda de 3,44% no ano e a sardinha, apesar da alta registrada no último mês (4,18%), acumula deflação tanto no ano (-10,34%) quando em 12 meses (-7,13%).


Em sentido oposto às demais proteínas animais, o preço das aves saltou mais de 5% em setembro, motivado pela alta de 5,29% no preço do frango. Mesmo com a alta registrada no mês, o preço das aves ainda acumula forte queda no ano (-16,22%) e em 12 meses (-17,95%).



Leite

O leite mantém pelo quarto mês consecutivo queda no preço após forte alta no bimestre (abril e maio). Com o resultado de setembro (-7,08%), o preço acumula queda de 1,66% no ano e forte retração de 17,46% em 12 meses. Apesar do bimestre de julho e agosto ser de entressafra e o período de inverno tendencialmente produzir piores condições nos pastos brasileiros e, consequente, aumento sazonal do preço do leite, a conjunção entre redução dos custos de produção (queda no preço da ração animal) e aumento das importações resultaram na queda do preço durante as duas últimas medições do IPS. Vale frisar ainda que a redução do preço do leite tem impactado nos preços de diferentes itens da cesta de consumo das famílias, como o leite em pó, o leite condensado, o creme de leite e os queijos.


Cereais


Os cereais também deflacionaram em setembro (-0,40%), motivados pela forte queda do feijão (-6,71%). Enquanto o feijão registrou queda, o milho ficou estável e o arroz registrou leve alta de 2,94%. Com o resultado do mês, a subcategoria acumula deflação de 0,85% no ano e alta inferior a 3,9% em 12 meses.


A expressiva safra de feijão do primeiro semestre que ainda apresenta estoques disponíveis e o início da segunda resultaram na queda do preço da leguminosa. No acumulado do ano, o preço do feijão apresenta retração superior a 20%, enquanto no acumulado em 12 meses, a queda é de 18,28%.


Por outro lado, o preço do arroz segue em alta em setembro, acumulando inflação de 10,2% no ano e 16,48% em 12 meses.


Industrializados

A categoria de produtos industrializados apresentou deflação de 0,33% em setembro. Com esse resultado, a inflação da categoria desacelerou para 0,95% no acumulado do ano e 2,66% em 12 meses. O resultado do mês é reflexo da redução de preços de produtos, como o café, achocolatados em pó e chás (-1,67%), derivados de leite (-0,90%), doces (-0,55%), condimentos e sopas (-0,45%), derivados de carne (-0,52%), biscoitos e salgadinhos (-0,1%). As subcategorias de adoçantes (0,74%), alimentos prontos (0,67%), panificados (0,36%), massas, farinhas e féculas (0,32%), óleos (0,20%), enlatados e conservas (0,13%) apresentaram alta nos preços.


O resultado positivo de produtos industrializados em 2023, com alta moderada de preços, decorre da safra recorde e da diminuição ou aumento moderado do preço de muitos insumos produtivos. Os casos das subcategorias de óleos e café são exemplares, no ano esses itens acumulam queda de aproximadamente 16% e 5%, respectivamente. No caso específico do óleo, o único item que apresenta tendência de preço contrária à do grupo é o azeite. As mudanças climáticas e o seu efeito direto sobre a produção das olivas no mediterrâneo têm produzido forte pressão sobre o preço no mercado mundial. Em setembro, o azeite aumentou 3,71%% e no acumulado do ano a alta supera 22%.


Produtos In natura

Os produtos in natura deflacionaram 2,74% em setembro, decorrente da redução de preços de quase todas as subcategorias, como os tubérculos (-8,82%), ovos (-5,75%), verduras (-2,42%) e frutas (-0,50%), com exceção dos legumes, que inflacionaram 1,62% no mês.


As frutas que apresentaram as principais quedas no mês foram mamão (-23,17%), uva (-5,96%) e abacaxi (-2,88%). Por outro lado, as principais altas foram da pêra (19,3%), maracujá (12,9%) e limão (12%).


Dentro da subcategoria de verduras, apenas a escarola apresentou alta em setembro (1,93%). As principais quedas no mês foram de couve-flor (-10%) e repolho (-8,25%). Entre os tubérculos, a batata continua sendo o item de maior deflação no mês (-15,15%), seguido da cebola (-9,5%). No acumulado do ano, batata e cebola acumulam deflação de 41% e 57%, respectivamente.


Os produtos in natura tendem a apresentar forte volatilidade nos preços em decorrência, sobretudo, dos aspectos sazonais e climáticos. No entanto, apesar da natural oscilação nos preços dos itens que compõem o grupo, o comportamento de médio prazo indica tendência de queda. No acumulado do ano de 2023, a categoria apresenta queda de 5,66%.



Bebidas

As bebidas inflacionaram cerca de 0,6% em setembro. Entre as não alcoólicas, a alta no preço dos refrigerantes (0,65%) puxou o indicador de toda a subcategoria para cima (0,63%). Na categoria de bebida alcoólica todos os itens inflacionaram no período, como a cerveja (0,40%), aguardente (1,43%), vinho (2%), champanhe (1,05%) e vodca (0,2%). No acumulado do ano as bebidas não alcoólicas apresentam inflação de 5,06%, enquanto as alcoólicas 4,64%.


Limpeza, higiene e beleza

Os produtos de limpeza, higiene e beleza registraram deflação de 0,83% e 0,24% nos preços em setembro, respectivamente. Como já apontado em notas técnicas anteriores, as duas categorias desde o último quadrimestre de 2022 já vinham desacelerando consistentemente e, desde agosto, passaram a apresentar deflação. O comportamento dos preços das duas categorias observado no último bimestre decorreu, sobretudo, da desaceleração e mesmo redução de insumos produtivos.


Dentro da categoria as principais quedas do mês foram do desodorizante (-4,22%), sabão em pó (-2,11%) e sabão líquido (-2,04%). Em sentido oposto, itens como amaciante de roupas (1,51%) e lustra-móveis (1,12%) registraram alta em setembro, mas, como possuem baixo peso dentro da subcategoria, tiveram participação diminuta na contenção da queda do indicador.


Entre os artigos de higiene e beleza, a redução de preços dos dois itens de maior peso na categoria, como sabonete (-0,91%) e papel higiênico (-1,73%) puxou todo o indicador para baixo. Por outro lado, a queda de preços da categoria não está ainda maior, porque itens como xampu (1,59%), condicionador (2,05%) e creme dental (0,52%) atuaram em sentido contrário.


 
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