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Governança corporativa integra gerações em empresas familiares

Maioria absoluta no Brasil, organizações com perfil familiar encontram caminhos e superam desafios em processos de sucessão


Fonte: Banco de imagens Wix

As empresas familiares tomam conta do cenário nacional já que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ao todo, 90% das organizações apresentam este perfil. Diante dessa realidade, as lideranças precisam saber como tornar o processo de sucessão mais simples para as novas gerações, principalmente porque os dados do Banco Mundial mostram que apenas 30% das empresas familiares chegam à terceira geração e, depois disso, só a metade delas sobrevivem.


Para Marcelo Camorim, especialista em sucessão familiar e governança corporativa e presidente do conselho de administração e familiar do Grupo Soares, entre os principais desafios que os profissionais enfrentam ao ocupar o cargo de sucessão nas redes supermercadistas, está o próprio empreendedor. “Geralmente começa com um pequeno negócio e quando começa a ganhar corpo, o principal desafio que os profissionais encontram no processo sucessório, por incrível que pareça, é o próprio fundador. Principalmente, porque ele não consegue largar tudo aquilo que ele conquistou, por medo de que as pessoas provoquem a perda de tudo o que ele conquistou em décadas de trabalho”, diz.


De acordo com Camorim, este é o motivo pelo qual o empresário precisa de um modelo de gestão e governança para ter segurança e dar autonomia para as novas gerações. “Não adianta achar que a sucessão se dá colocando os sucessores no estoque, nas vendas, ou carregando o caminhão. Essa foi a escola do pai e ele aprendeu dessa forma. As novas gerações têm uma outra cabeça, eles têm uma visão de futuro diferente do fundador que não viveu a tecnologia como ela existe hoje”, analisa o presidente do conselho de administração e familiar do Grupo Soares.


Métricas e indicadores

Marcelo entende que existe um conjunto de vantagens que a governança corporativa traz para empresas familiares do setor varejista, incluindo segurança, transparência e perenidade. A governança corporativa é um caminho sem volta. Se você não deixar uma estrutura de gestão, com certeza sua empresa não vai perenizar pelos próximos 10, 15 ou 20 anos. As margens dos supermercados são apertadas e, por isso, é muito importante um modelo de gestão profissional, que tenha uma estrutura de governança muito bem feita”, orienta o especialista em sucessão familiar e governança corporativa.


Segundo Alexandre Pierro, sócio-fundador da consultoria Palas, muitas empresas familiares misturam questões pessoais e empresariais e também deixam de aplicar métricas que ajudam a definir para onde o negócio deve caminhar. “Tudo isso acaba impactando fortemente a prosperidade das empresas. É preciso estudar muito bem essas diferentes gerações, uma vez que cada uma delas pode ter desejos e expectativas diferentes das outras. Com o apoio de normas como a ISO, fica mais fácil estabelecer métricas que auxiliem neste estudo das gerações e, dependendo da empresa, é possível ter diversas gerações trabalhando simultaneamente”, afirma.


Pierro acredita que a governança corporativa estabelece que a operação de uma empresa não esteja sob o domínio de pessoas, mas sim da organização. “É importante que as informações não se concentrem no patriarca e corram o risco de serem perdidas com o passar do tempo. Uma das maiores vantagens da governança corporativa é contar com métricas e indicadores que mostram o melhor caminho a seguir. Uma vez que se tem uma métrica bem estabelecida, o profissionalismo nas operações aumenta, trazendo mais segurança nas estratégias e no planejamento a ser colocado em prática”, finaliza o sócio-fundador da consultoria Palas.

 

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