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Açúcar: Preço do produto usado em quase tudo na indústria dispara e acende alerta sobre inflação

Os preços do açúcar, produto utilizado em quase tudo pela indústria alimentícia – de refrigerantes, chocolates e guloseimas até a panificação – atingiu na semana passada o nível mais alto em seis anos no tipo bruto na Bolsa de Nova York e de mais de 10 anos em Londres.

Nesta segunda-feira (03), o adoçante bruto no terminal norte-americano ainda sobe e trabalha acima dos 22 cents/lb. O petróleo também tem sido um ponto de influência aos preços no dia por conta de cortes de produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+).


Fonte: Banco de imagens Canva

O suporte para as cotações do adoçante nas bolsas externas nos últimos dias vem das preocupações com a oferta, principalmente a da Índia, segunda maior exportadora global do adoçante, que teve impacto do clima e que deve desviar parte de sua cana-de-açúcar ao etanol na safra 2022/23.


A temporada 2023/24 do Centro-Sul do Brasil se aproxima e tende a ser bastante positiva, segundo os indicativos até o momento, mas ainda assim há grandes temores no mercado a nível global.


Com os preços futuros do açúcar em disparada recente e elevação já registrada nos custos industriais, aumentaram também as preocupações com um impacto do produto sobre a inflação global. Países europeus já cortaram impostos sobre itens essenciais, mas a situação está no radar.


"Para os governos, há uma urgência em agir, dado que o aperto da inflação já deixou muitas famílias lutando para sobreviver, provocando greves e protestos em toda a Europa, à medida que os trabalhadores buscam maiores demandas salariais", destacou a agência Bloomberg.


Variação do preço dos alimentos e a taxa de inflação da zona euro nos últimos anos - Fonte: Eurostat/Gráfico elaborado pela Bloomberg

Um especialista do mercado do açúcar publicou no final da semana passada que um grande supermercado do Reino Unido, o Costco, já está racionando a compra de pacotes de açúcar e os preços também estão mais altos. Um outro varejista do país chegou a cobrar recentemente até £ 1,10 para o quilo.


A temporada de Páscoa se aproxima no mundo, o que tende ainda a seguir influenciando sobre os preços do adoçante.


A Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) das Nações Unidas já havia relatado em reporte de fevereiro uma alta global do açúcar. Porém, ela foi compensada no compilado do índice – que fechou em queda pelo 11º mês consecutivo – pelas baixas nos óleos vegetais e laticínios.


Os óleos vegetais recuaram 3,2% no período e os lácteos 2,7%. Já o açúcar subiu 6,9%, testando máximas de seis anos com atenção para a Índia. O relatório da FAO referente ao mês de março deve sair nos próximos dias.


Queda nas exportações indianas afeta o mundo

A Índia é uma das maiores exportadoras de açúcar do mundo. E claro que qualquer mudança em sua safra afeta o comércio global. Para a temporada 2022/23 (agosto-setembro) do país asiático, as exportações devem cair para cerca de 6 milhões de toneladas, ante 11 milhões no ciclo anterior, segundo levantamento da Bloomberg.


O governo indiano ainda não fez nenhuma nova sinalização sobre extensão ou não das cotas de exportação.


Além disso, os embarques do país asiático podem cair para até 4 milhões de t no próximo ciclo de produção, mas ainda é cedo para cravar. "Isso reduz a oferta em um mercado que já tem apontada escassez no ano que vem pelas consultorias Green Pool e Covrig Analytics", destaca a agência internacional. Com isso, os preços podem subir mais.


"Os preços terão que subir para extrair açúcar de qualquer outra parte do mundo", disse à Bloomberg Henrique Akamine, chefe de açúcar e etanol da Tropical Research Services.

 
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